A maior árvore da Amazônia é encontrada na fronteira do Amapá com o Pará

Espécie encontrada é a árvore Angelim Vermelho e mede 88,5 metros altura e 9,9 de circunferência.
angelim arvore

Maior árvore da Amazônia: Angelim Vermelho | Foto Divulgação: Projeto Árvores Gigantes da Amazônia

Apesar do cenário de intenso desmatamento da Amazônia, visto em 2021 o seu pior índice dos últimos 10 anos, a força e resistência histórica da árvore Angelim Vermelho de 88,5 metros de altura e 9,9 de circunferência acentua a importância de manter a floresta em pé. O Angelim Vermelho é recém-descoberto como a maior árvore da Amazônia.

A expedição que deu origem a essa descoberta iniciou em 2019 por meio do Projeto Árvores Gigantes da Amazônia, coordenado pelos professores Diego Armando, do Instituto Federal do Amapá (IFAP – Campus Laranjal do Jari) e Eric Bastos Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Com a pandemia instaurada no Brasil e no mundo e a complexidade operacional da expedição não foi possível concluí-la no tempo previsto e somente agora, na segunda quinzena de setembro, foi retomada.

O projeto envolve uma equipe multidisciplinar por meio de diversas instituições e parcerias que atuam juntos no mapeamento de espécies. No entanto, o papel do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) foi de grande relevância para a identificação territorial do gigante Angelim Vermelho. O INPE identificou tempos atrás árvores com alturas acima da média na região fronteiriça mediante monitoramento por satélite, o que estimulou os pesquisadores a buscarem por terra essas árvores.

Equipe Expedicionária | Foto Divulgação: Projeto Árvores Gigantes

A localidade onde a maior árvore da Amazônia foi achada é de difícil acesso. A equipe se deslocou para o município de Laranjal do Jari, no sul do Amapá, em sua 5º expedição, pois já haviam sido organizadas outras incursões para chegar até a árvore, mas sem o resultado alcançado. Embora outras descobertas tenham sido feitas, como: um novo santuário de árvores de grande porte e da maior castanheira já registrada na Amazônia.

Foram 11 dias de expedição no último mês, no período de 11 a 22 de setembro. Para chegar até o local do Angelim Vermelho, o grupo percorreu o rio Jari durante três dias e em três tipos de embarcações, por 250 quilômetros de corredeiras do Jari, e mais quatro dias de caminhada em floresta nativa, contabilizados, aproximadamente, 20 quilômetros na mata  somente de ida, e 40 quilômetros (ida e volta).

Expedição pelo rio javari - Projeto Árvores Gigantes
Navegação da Expedição pelo rio Jari | Foto Divulgação| Projeto Árvores Gigantes

Os métodos de medição do Angelim foram feitos pelos sistema Lidar (Light Detection and Ranging) e trena. O Lidar mediu a altura e a trena a circunferência. O Lidar é um sensor, “radar laser”,  que faz sensoriamento remoto capaz de reproduzir um modelo digital de superfície. A trena, um instrumento linear e em curvas, um escalonado métrico em decimal ou polegadas. Os pesquisadores envolvidos na expedição de descoberta estimam que a gigante tenha aproximadamente 400 anos de existência, o que simboliza a preservação da Amazônia naquela região. A altura da árvore pode ser comparada a um edifício de 30 andares enquanto que a média nacional de árvores fica entre 40 e 50 metros.

Medição da árvore - Projeto Árvores Gigantes
Medição da árvore | Foto Divulgação: Projeto Árvores Gigantes

Estudos preliminares já preveem os impactos climáticos para o planeta com as derrubadas e desmatamentos de árvores desse porte e, ao mesmo tempo consideram a importância dessas formações vegetais de floresta em pé para mitigar os efeitos  do aquecimento global por meio do estoque de carbono. Os pesquisadores, já identificaram por exemplo, que uma árvore gigante é responsável por mais de 60% da biomassa de outras árvores próximas. O tratamento dessas informações são relevantes, pois considera a quantidade de carbono emitido em um desmatamento se houver e a capacidade de regeneração dessa vegetação.

De acordo com os pesquisadores, o objetivo da expedição era consolidar a Angelim Vermelho como a maior árvore da Amazônia, e estudar os impactos no meio ambiente.

“Que a descoberta dessa gigante traga a esperança da valorização da floresta em pé e mostre a importância das comunidades tradicionais para essa valorização”, disse Eric Gorgens, professor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e coordenador das expedições.

 

O que é o estoque de carbono?

Primeiramente, é necessário dizer que dois dos maiores desafios e preocupações globais envolvem matriz energética e emissão de gases de efeito estufa na atmosfera que provocam o aquecimento global. Assim, o estoque de carbono realizado naturalmente pelas árvores é essencial para colaborar com a superação de tais desafios.

O carbono é removido da atmosfera pela fotossíntese das plantas e é afixado em suas biomassas. Isso porque durante o desenvolvimento das plantas há uma forte demanda de estoque de carbono que elas necessitam para crescerem. Mas, não para por aí! Além de retirarem da atmosfera o CO2 ainda liberam oxigênio para o planeta o que promove um ciclo de resfriamento ou diminuição da temperatura do mesmo.

As árvores menores são as que mais sequestram carbono da atmosfera, justamente pela fase de crescimento. No entanto, as maiores atuam como grandes reservatórios de carbono porque ao longo da vida estocaram mais para se desenvolverem e crescerem. Por isso, o desmatamento de árvores desse porte é extremamente prejudicial e ameaçador para a vida no planeta, pois liberariam em grande volume CO2.

 

Fontes: Release MPAP e Informações do IFAP

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Felipe Moura

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