Equipe Itinerante

HISTÓRIA

O Projeto de Itinerância nasceu como uma iniciativa do Distrito dos Jesuítas da Amazônia (DIA). Está inspirado na mobilidade dos primeiros jesuítas (séc. XVII) que trabalharam na missão do “Grão Pará” com os povos indígenas desta imensa região amazônica. Fundamenta-se na itinerância do próprio Jesus que percorria os povoados e aldeias anunciando a boa nova do Reino aos pobres (Mt 9,35-38).

A primeira intuição foi formulada por o Pe. Cláudio Perani SJ em 1996 como “Projeto de itinerância” que, junto com o “Projeto Tabatinga” e “Educação e Cidadania”, foram aprovados pelo Pe. Kolvenbach, Superior Geral da Companhia de Jesus na época. 

No ano 1997 Claudio redige a segunda versão do Projeto: “Equipe Itinerante – Tentando concretizar 1998”. Dos jesuítas são liberados em janeiro de 1998: Pe. Albano Ternus e Pe. Paulo Sérgio Vaillant. Eles visitavam periodicamente as comunidades do interior e da periferia urbana. E em outubro de 1998 incorporaram-se o Pe. Fernando López SJ e a Ir. Arizete Miranda Dinelly CNS-CSA a tempo parcial, sendo liberada integralmente para a Equipe só no ano 2000. Eles começaram os contatos da Equipe com o mundo indígena. 

Em 1999, foi elaborada a terceira versão do projeto “Equipe Itinerante”. São definidas três realidades sociais com as que a Equipe queria trabalhar: Ribeirinhos, Urbanos-empobrecidos e Indígenas. Com o aumento dos membros da Equipe, ficou mais clara a necessidade de formar três subequipe interligadas para acompanhar cada um destes grupos sociais. Também neste ano se iniciou um pequeno escritório da Equipe Itinerante na sede do Distrito dos Jesuítas da Amazônia (DIA). E ao longo do ano foi enviado o Projeto a várias pessoas, grupos e instituições como o CIMI, CPT, CRB, etc. Muitas pessoas mostraram interesse na proposta e algumas ofereceram-se para juntar-se a ela no ano 2000

No início de 2000 os membros permanentes da Equipe Itinerante eram 6 pessoas de 4 instituições diferentes: Pe. Paulo Sérgio SJ, Pe. Fernando SJ, Ir. Arizete CSA, Pe. Paco SJ, Ir. Odila Gaviraghi FSCJ e Cláudia Pereira, leiga voluntária da CNBB Sul-3. Elas discerniram e tomaram a decisão de viver juntas numa comunidade inserida entre os pobres, em casas de palafitas no Bairro Jardim dos Barés, em Manaus. Nasceu a Comunidade Itinerante Inserida e, pouco a pouco, se fortalecia a sinodalidade, somando e caminhando juntos na nossa vida-em-missão itinerante.

No ano 2002 o Projeto Equipe Itinerante tornou-se inter-congregacional e inter-institucional oficialmente. Em outubro começou a prática dosEncontros Interinstitucionaisanuais, visando a partilha, discernimento e avaliação da experiência junto com os responsáveis institucionais dos membros da Equipe. Esta foi convertendo-se na instância máxima de discernimento, avaliação e decisão da Equipe Itinerante. Neste ano 2021 celebramos o XX Encontro Interinstitucional! 

Desde 2003 tem aberto vários núcleos: Em 2004 na fronteira do Alto Rio Solimões, Tabatinga-Letícia-Sta. Rosa (Brasil-Colômbia-Peru); 2008 em Boa Vista (RR), próximo das fronteiras com Venezuela e Guiana; 2015 na tríplice fronteira Bolívia-Peru-Brasil (BOLPEBRA). Atualmente, existem dois núcleos: em Manaus e em BOLPEBRA.

Com a chegada de novas pessoas e da organização da Rede Itinerante CLAR-REPAM (2019) muitas pessoas missionarias se estão somando a novos núcleos e equipes itinerantes que se espalham pela imensa Amazônia.

Estas práticas concretas de sinodalidade na missão e de serviço missionário itinerante é confirmada, promovida e apoiada por vários documentos do Papa Francisco, assim como pelo Sínodo da Amazônia (Outubro/2019). Quatro números do documento final tratam o tema de itinerancia (SA 21, 39, 40, 98). “As Equipes Itinerantes na Amazônia, tecendo e construindo comunidades a longo do caminho, ajudam a fortalecer a sinodalidade eclesial” (SA 39).

Em Querida Amazônia, o Papa Francisco insiste nesta perspectiva itinerante (n. 98). E no próximo sínodo (2023) o tema central será a “Sinodalidade da Igreja”.

OBJETIVOS

  • Geral:

Escutar, despertar, incentivar, apoiar pessoas, grupos e projetos de iniciativa dos povos Ribeirinhos, Indígenas e Urbanos, através da itinerância, do apoio e da articulação com grupos e entidades comprometidas com a mesma luta, para que as pessoas empobrecidas e excluídas se tornem sujeitos da sua libertação, reconquistem sua dignidade e se reconheçam como filhas e filhos preferidos de Deus, a fim de, pelos valores do Evangelho, humanizar os ambientes mais agressivos, injustos e opressores onde a vida humana e da Mãe Terra está sendo ameaçada, as culturas desrespeitadas e os direitos humanos ignorados. 

  • Objetivos Específicos:

a) Ir ao encontro das pessoas mais empobrecidas, sofredoras, abandonadas e culturalmente diferentes. 

b) Conhecer a vida cotidiana dessas pessoas, com visitas periódicas e atitude de escuta gratuita, aprendendo delas a melhor maneira de servi-las, sendo presença solidária e compartilhando de suas lutas, sofrimentos, esperanças e suas iniciativas de organização e resistência. 

c) Criar em todo lugar uma consciência cada vez maior do respeito e cuidado que devemos à Mãe Terra, pois ela é quem sustenta a vida de todos os habitantes do planeta, tendo como nossos mestres os povos da floresta que vivem em sintonia com ela. 

d) Apoiar e incentivar relações de vida comunitária: partilha, celebração, organização e outras. 

e) Celebrar, a partir da fé e cosmovisão de cada povo, a vida, a luta e as relações fraternas. 

f) Sistematizar e compartilhar, devolvendo as experiências vivenciadas e geradas nos diversos espaços de missão, como parte própria da metodologia. 

g) Contribuir com assessorias específicas reforçando e potencializando a práxis das comunidades, igrejas, grupos de movimentos populares e organizações sociais. 

h) Tecer e ampliar redes e parcerias na Panamazônia, entre comunidades, povos, organizações, igrejas e instituições afins. Particularmente fortalecer e apoiar a REPAM, a CEAMA e a Rede Itinerante. 

i) Aprofundar os estudos referentes ao contexto sociocultural e político-econômico da região onde a Equipe desenvolve sua atuação, mantendo uma análise de conjuntura crítica e atualizada. 

j) Recriar novas relações de gênero buscando equidade de participação, de decisão e de direitos. Só podemos comunicar e partilhar aquilo que vivemos internamente entre nós. 

  • Visão: Desde a convicção de que “não se ama o que não se conhece… e o que não se conhece e ama, não se defende nem se cuida!”, a Equipe Itinerante tem uma visão da Amazônia territorial conectada, desde dentro, socioambiental, ecológica e eco política, desde as logicas dos povos tradicionais e suas cosmovisões de bem-viver e bem-conviver, com uma espiritualidade itinerante e à intempérie.
  • Valores: A missão da Equipe Itinerante vive numa “Espiritualidade itinerante” deixando-se conduzir pela brisa do Espírito de Deus, discernindo a sua vontade, no cotidiano da vida dos pobres, diferentes e excluídos. Evoca também fazer comunidade no caminho, na intempérie, estando disponível para ir a qualquer lugar onde mais precisar, implicando uma “atitude de Itinerância interior”, bem mais exigente que a própria mobilidade externa. Trata-se de sair dos próprios esquemas mentais, das obras, estruturas ou organizações pastorais e colocar-se numa atitude de acolhida, escuta, diálogo, de abertura e conversão ao novo e ao diferente, a exemplo de Jesus (Jo 4,1-15 / Mt 15,21-28). Frente à constante diversidade de situações, internas e externas, que a Itinerância apresenta, se faz necessária uma atitude permanente de discernimento, pessoal e em equipe, na iminência de perceber para onde o Espírito aponta para a missão, tendo uma opção radical pelas pessoas mais excluídas, porque são as preferidas de Deus. Esta opção implica um comprometimento contínuo com os “sujeitos” da missão: indígenas, ribeirinhos e urbanos-empobrecidos. Ao mesmo tempo uma espiritualidade enraizada numa relação profunda com a Mãe-Terra, explorada e considerada ‘objeto’ pela cultura materialista-consumista, que mata o caráter sagrado dela, que ainda hoje sobrevive nas culturas indígenas. É uma Espiritualidade Trinitária: UNIDADE–DIVERSIDADE–RELAÇÃO em um continuo processo e movimento. A Amazônia é imagem da Trindade, pois é uma realidade que integra de modo dinâmico e continuo uma enorme diversidade biológica e cultural. Ela nos ensina e estimula a viver numa espiritualidade relacional dinâmica, que articula a diversidade numa profunda unidade complementaria geradora de vida. A Equipe soma diversidade em recursos humanos, materiais e econômicos; somando chegamos onde sozinhos não podemos nem devemos. A Equipe é uma escola de afetos, de aprendizado interno e externo de convívio em diversidade de situações e carismas, culturas e cosmovisões, instituições e organizações, línguas e pessoalidades, virtudes e limites.
  • Beneficiários diretos e indiretos: Com os povos amazônicos perseguidos e excluídos é que os membros da Equipe querem caminhar e partilhar a vida: rostos urbanos-empobrecidos, os rostos ribeirinhos e os rostos Indígenas. Tendo a Mãe Terra com sujeito, como base que sustenta sua vida e a vida de todos os habitantes do planeta, a Equipe considera os povos amazônicos sujeitos da sua própria libertação e como nossos mestres no respeito e cuidado para com a Natureza.

ATUAÇÃO

A intuição básica da Equipe Itinerante parte de:

Andem pela Amazônia e escutem o que o povo fala…

Participem da vida cotidiana do povo…

Observem e registrem tudo cuidadosamente…

Não se preocupem com os resultados, o Espírito irá mostrando o caminho…

Coragem! Comecem por onde possam…”

[Cláudio Perani, sj]

Isto quer dizer que é indo ao encontro, ao ritmo da canoa, desde uma metodologia participativa e criativa, que valoriza as pequenas iniciativas das comunidades que busca e discerne com profundidade e criatividade os possíveis caminhos novos juntos , combinando a Prática e Teoria, tecendo Parcerias e Sinodalidade na Diversidade entre pessoas, grupos e povos, entre organizações, congregações e instituições, entre fronteiras geográficas e simbólicas, entre culturas, entre orilhas, entre Norte-Sul e Leste-Oeste, etc. porque temos a convicção de que “uma selva sem a outra, não tem solução”, celebrando a vida e a luta a partir da fé, esperança e mística de cada povo e cultura.

REDES DE COLABORAÇÃO

A Equipe Itinerante é propriamente uma Rede. Ele se configurou desde o ano 2002 como um espaço inter-congregacional e inter-institucional. A Equipe atua em rede. Na nossa missão somamos, tecendo e ampliando redes e parcerias na Panamazônia, entre comunidades, povos, organizações, igrejas e instituições afins. Particularmente fortalecer e apoiar a REPAM e a CEAMA.

Em agosto de 2019, justo antes do Sínodo da Amazônia, foi realizado o primeiro encontro da Rede Itinerante CLAR-REPAM. Esta nova rede ajuda no processo de coordenação, articulação e formação dos missionários e missionarias, das equipes que prestam seu serviço missionário na Amazônia numa perspectiva itinerante. Na Rede participam equipes itinerantes diversas: com distintos formatos e metodologias de itinerância, composição de pessoas, modos de sustentabilidade, áreas e matizes de serviço. 

MURAL DE FOTOS

 

INFORMAÇÕES DE CONTATO

Equipe Itinerante
ENDEREÇO
Av. Leonardo Malcher, Bloco 12, Aptos. 303-304, Residencial Mestre Chico II, Praça 14, CEP: 69020-070, Manaus/AM
CONTATO
+55/(92) 3223 3277  
[email protected]
DIREÇÃO/COORDENAÇÃO
Raimunda Paixão Braga e Marita Bosch

 

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Rua Jirón Brasil s/n Mz. 11, IÑAPARI, Departamento Madre de Dios, CEP: 69020-070 – Peru
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+51 / 9 3025 2466       
[email protected]
DIREÇÃO/COORDENAÇÃO
Maria Eugenia Lloris e Izaias Flores

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