Inicia o Encontro da PAAM, em Manaus (AM)

Encontro reúne colaboradores jesuítas e leigos (as) que atuam na região amazônica para  discernir novos caminhos para a missão.

Nesta terça-feira (28), em Manaus (AM), iniciou-se o Encontro da Preferência Apostólica Amazônia (Paam), uma espécie de assembleia que ocorre de dois em dois anos e reúne colaboradores jesuítas e leigos (as) que atuam na região amazônica.  Discernindo novos caminhos para a nossa missão é o tema deste ano. Aproximadamente, 60 pessoas estão presentes.

A atividade iniciou com um momento reflexivo realizado pela Equipe Itinerante sobre a contemplação da natureza, com suas belezas e devastações. Na sequência, o ex-delegado (em transição) na Paam, Pe. David Romero, SJ, apontou sua expectativa para o encontro: “a ideia é ajudar o corpo apostólico a se conhecer melhor e se reconhecer como parte de uma mesma missão, por meio de uma perspectiva integrada no cenário amazônico.”

Além dos representantes dos cinco núcleos apostólicos que compõem a Paam, participaram do Encontro algumas autoridades da Companhia de Jesus: Pe. Rafael Garrido, SJ, presidente da Conferência dos Provinciais da América Latina e do Caribe (Cpal), e pelo Governo da Província dos Jesuítas do Brasil, Ir. Davidson Braga, SJ, sócio e admonitor provincial; Pe. Edson Tomé, SJ, secretário para a Juventude e Vocações; Pe. Jean Fábio, SJ, secretário para a Justiça Socioambiental. 

Na ocasião, o Núcleo Apostólico Mato Grosso, incorporado à Paam no último ano, foi acolhido oficialmente por todos os membros da assembleia, com uma saudação de boas-vindas e abraço fraterno.

Ainda pela manhã, ocorreram as apresentações dos núcleos apostólicos que expuseram o trabalho em rede que realizam, em especial a partir das obras e serviços locais. Migração, povos indígenas, fronteiras, juventudes, educação popular, justiça socioambiental, igreja, espiritualidade foram destaques relacionados aos serviços realizados na região amazônica.

No período da tarde, a dinâmica proposta era ampliar o olhar sobre o cenário amazônico e a missão da Companhia de Jesus na região.

À noite, todos foram convidados para um momento de ação de graças em uma bonita celebração eucarística, presidida pelo Pe. Rafael Garrido, SJ, em espanhol.

Análise de conjuntura sobre a Amazônia e missão SJ

.A análise de conjuntura foi apresentada pelo Ir. João Gutenberg, Irmão Marista, secretário da Rede Eclesial Pan-amazônica (Repam); Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus; Pe. Rafael Garrido, SJ, presidente da Conferência dos Provinciais da América Latina e Caribe (Cpal); e Pe. Adriano Hanh, SJ, coordenador do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares).

Diante do contexto apresentado, Ir. João trouxe uma análise mais eclesial da Amazônia desde a perspectiva da Repam. Apontou ser um sinal importante da igreja na região “à articulação sinodal, de partilha de experiências e incidência local e internacional para responder às necessidades do território”. Destacou também como fundamental o papel das instituições para que seja possível responder os apelos da pan-amazônia e recuperar a dimensão eclesial, afinal “o que vimos sempre foi uma articulação do episcopado”, comentou.

Dom Zenildo corrobora com a mesma visão do papel da Repam, mas também entende que foi necessário pensar um caminho com as comunidades eclesiais. Segundo ele, a “justiça socioambiental, amizade social não se tornam pautas das comunidades”. Recuperou as reflexões sinodais que levaram a criação da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama) para afirmar que “sentia a necessidade de um organismo que pudesse falar para as comunidades com autoridade”. Acredita ter sido necessário realizar uma articulação muito próxima com os bispos para assim conseguir “fazer que esses temas entrassem nas comunidades locais eclesiais” e repercutir temas de ecologia integral a partir de linhas de evangelização concretas na Igreja da Amazônia e do mundo.

No campo da América Latina e Caribe, a missão da Companhia de Jesus na perspectiva amazônica foi assunto da explanação do Pe. Rafael. Ele comentou sobre projeto do Serviço Jesuíta Pan-amazônico que se propôs a ser um serviço de incidência em rede e passa por um processo de reconfiguração de articulação e trabalho. “A companhia de Jesus busca responder a problemas globais, por isso o discernimento do trabalho na pan-amazônia é necessário e desde aí busca responder uma forma de articulação para um melhor serviço na missão”. Disse ainda que por isso os próximos passos é ter um delegado da Cpal para a Amazônia.

O Pe. Adriano, em sua fala abordou questões no campo socioambiental a partir da realidade brasileira, refletindo a hegemonia do capitalismo financeiro em suas mais diversas faces como a política de direita do país. Ao final, indagou a todos sobre o papel de povo de Deus, de Igreja, diante das realidades latentes de vulnerabilidades dos mais empobrecidos, acentuando os povos indígenas com um desses impactados diretamente. Destacou a importância da defesa da Casa Comum, “para que seja vida para toda a humanidade.”

Confira alguns registros:

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Felipe Moura

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