Mineração na Amazônia: impactos socioambientais e desafios crescentes

Na vastidão da Amazônia, a crescente expansão da mineração tece uma trama complexa de desafios socioambientais, onde a busca por recursos colide com a preservação, delineando um dilema que transcende fronteiras e exige atenção global.
Mineração na Amazônia: impactos socioambientais e desafios crescentes

Foto: Greenpeace / Marcos Amend

A Amazônia, lar de uma biodiversidade exuberante e rica cultura indígena, enfrenta uma ameaça crescente: a expansão desenfreada da mineração. Com mais de 45.000 concessões mineradoras em operação ou aguardando aprovação, os impactos socioambientais se multiplicam, desencadeando uma série de consequências que vão além das fronteiras da floresta.

Lançado nos anos 1970, o Programa Grande Carajás é emblemático da aliança entre o Estado e o capital mineiro. Projetos como Ferro Carajás, Projeto Trombetas, Albrás-Alunorte e a Usina Hidrelétrica de Tucuruí tornaram-se a espinha dorsal da economia na região. No entanto, essa “economia de enclave” concentrou poder, monopolizou a exploração mineral e reduziu a diversificação econômica, prejudicando as comunidades locais.

A extração de minérios como ferro, bauxita, cobre, níquel, estanho, zinco e ouro requer uma infraestrutura de larga escala. Minas, ferrovias, rodovias, hidrovias e portos interligam-se para facilitar a exportação. Entre 2005 e 2015, a mineração causou o desmatamento de 1,2 milhão de hectares na Amazônia, representando 9% da perda total da floresta durante o período.

O garimpo ilegal de ouro, associado a atividades ilegais como exploração de madeira e invasões de terra, representa uma ameaça significativa. Estima-se que existam 453 focos de mineração ilegal na Amazônia brasileira. A conexão entre o garimpo e o narcotráfico fortalece a violência na região, enquanto a recuperação ambiental de áreas degradadas levaria décadas.

Agronegócio e os impactos da transição energética

A expansão da mineração acompanha o crescimento do agronegócio, alimentando demandas por minerais essenciais, como fosfato e potássio. Projetos como a mina de potássio em Autazes (AM) ameaçam terras indígenas, enquanto a busca por “minerais críticos” para a transição energética coloca pressão adicional sobre a região.

A busca por minerais essenciais para tecnologias de energia limpa, como cobre, lítio e elementos de terras raras, está gerando impactos ambientais e sociais significativos. A demanda crescente desses minerais amplia os conflitos na região.

Estudos da Universidade Federal de Minas Gerais destacam que a mineração também ameaça áreas de alta biodiversidade na Amazônia. Artrópodes e angiospermas, menos estudados, sofrem significativamente, evidenciando a necessidade de considerar a biodiversidade como um todo nas avaliações de impacto.

Ameaças à terras indígenas

A flexibilização do Marco Temporal e projetos de lei que buscam legalizar a mineração em terras indígenas representam uma ameaça significativa. Grandes mineradoras têm pedidos de mineração sobrepondo terras indígenas, comprometendo a subsistência e a cultura dessas comunidades.

Povos indígenas, comunidades quilombolas e movimentos populares lideram a resistência. Enfrentando perseguição e ameaças, essas comunidades buscam proteger seus modos de vida e a biodiversidade da região. A resistência se manifesta em mobilizações, como a Assembleia dos Povos da Terra pela Amazônia, que reuniu mais de 30 mil pessoas em Belém (PA) em 2023.

Perspectivas futuras

A mineração na Amazônia é um desafio complexo que exige uma abordagem integrada. A resistência persiste, enquanto a sociedade busca soluções para proteger a região. A COP30, prevista para Belém em novembro de 2025, surge como uma oportunidade crucial para afirmar a defesa dos territórios e modos de vida dos povos como caminho principal contra a crise climática e socioambiental. A pressão por políticas que promovam transparência nas avaliações de impacto e envolvam as comunidades locais torna-se cada vez mais urgente diante dos desafios impostos pela mineração na Amazônia.

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Felipe Moura

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