Nível do rio Negro ultrapassa marca histórica da seca no Amazonas

O Rio Negro atingiu 13,59 metros nesta segunda-feira (16). A Medição histórica anterior era de 13,63 metros, de 2010.
estiiagem Rio Negro

Foto: Valter Calheiros

Nesta segunda-feira (16), o Porto de Manaus (AM), que há 121 anos realiza a medição diária do nível do rio Negro, informa a descida das águas com nova marca histórica: 13,59 metros e seca no Amazonas já é a pior sentida em mais de um século.

A vazante mais acentuada, até então, ocorreu em 2010, na época o rio Negro chegou a descer suas águas para 13,63 metros. O registro do Porto de Manaus começou a fazer a medição em 1902 e se realiza a comparação dentro deste período de acompanhamento hidrológico. O que chama atenção é que a marca histórica foi ultrapassada oito dias antes do nível mais baixo já registrado e as águas continuam baixando a cada dia 13 centímetros em média.

No Amazonas, 60 dos 62 municípios declararam situação de emergência por causa da seca. A situação se agrava cotidianamente, deixando comunidades inteiras isoladas. Em Manaus, diversas escolas rurais suspenderam as aulas, com prejuízos também na navegação de embarcações, na pesca artesanal, na agricultura, no escoamento de insumos e na paisagem ribeirinha. Além de tudo isso, os impactos são visíveis com a mortalidade de peixes. No lago do Piranha, próximo à capital, milhares deles apareceram mortos na superfície algumas semanas atrás.

Na estação seca da Região Norte quando a vazão dos rios normalmente se reduz, a estiagem é mais grave na Amazônia Ocidental composta por Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas. A estiagem é a combinação de dois fenômenos: o El niño que gera secas severas no Norte e Nordeste e chuvas volumétricas no Sul e Sudeste; e a elevação de temperatura do Oceano Atlântico, ocasionada pelas mudanças climáticas. O Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) ligado ao Governo Federal, já aponta que este período da estiagem irá se estender até o mês de janeiro de 2024, o que preocupa autoridades locais desses estados por conta dos impactos da seca na região amazônica.

Com a vazante severa acentuada com a estiagem, a área urbana de Manaus também foi impactada. O lago do Aleixo e o lago Mauá, na zona leste da cidade, secaram totalmente. Famílias inteiras que dependiam dos lagos para trabalho e tráfego sofrem dificuldade de locomoção e abastecimento de água potável.

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Felipe Moura

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