“A soma dos quintais” é tema de Seminário de Mulheres na Amazônia

O Seminário incentivou o empoderamento feminino e o autocuidado em prol das Mulheres Amazônidas e do Bem Viver.
Foto Oficial: Seminário A soma dos quintais das Mulheres na Amazônia

No início do mês de setembro, entre os dias 02 e 04, na chácara Xare, em Manaus – AM, o Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental – SARES, Centro Social da Companhia de Jesus na Amazônia, reuniu mulheres de obras e serviços ligados aos jesuítas e aos movimentos sociais da Arquidiocese de Manaus no Seminário “A soma dos quintais das Mulheres na Amazônia”. O projeto foi financiado pelos Jesuítas da Alemanha e tinha como objetivo reunir as mulheres e promover uma escuta de suas aprendizagens para o cuidado da Casa Comum em sintonia com o 5 de setembro, dia da Amazônia e da mulher indígena.

De acordo com a equipe organizadora, o evento foi expressão de cuidado, união, diversidade de rostos, saberes e causas. Foi momento poético e profético de reafirmação do sagrado feminino – um movimento de despertar a energia que habita na mulher, de cura e conexão com a natureza e a ancestralidade, amparada no amor próprio e no amor entre irmãs. Foi reconhecimento do lugar e papel da mulher na construção de uma sociedade mais justa e igualitária para o Bem Viver.

“O Seminário foi importante, pois revelou a força e a coragem das mulheres que atuam em várias frentes em defesa do Bioma Amazônia, foi como se abrisse um portal de sabedorias, místicas e cuidadania. Foi lindo ver a participação das mulheres no seminário, suas partilhas, suas alegrias e suas entregas em cada momento”, comentou Mary Nelys, Analista Social do Sares, uma das coordenadoras do projeto A Soma dos Quintais.

A iniciativa reuniu, aproximadamente, 30 mulheres, de instituições como Associação Antônio Vieira (ASAV), Centro Alternativo de Cultura (CAC), Fé e Alegria do Amazonas (FyA AM), Equipe Itinerante, Serviço Jesuíta de Migrantes e Refugiados (SJMR), Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA), Escritórios de Governo dos Jesuítas na Preferência Apostólica Amazônia (Comunicação; e Relações Institucionais e Sustentabilidade), Movimento Ecofeminista Maria sem vergonha, Articulação de Mulheres do Amazonas (AMA), Movimento de Mulheres Negras da Floresta – Dandara, Pastoral Indígena de Maués, Jubileu Sul, Coletivo Militância Jurídica, Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) e Fórum permanente de mulheres de Manaus (FPMM).

A atividade propiciou momentos de musicalidade, místicas e espiritualidade encarnada no viés da ecologia integral, terapia holística, círculo de mulheres, plenárias, grupos de discussão, etc.

Márcia de Oliveira, Doutora em Sociedade e Cultura e Assessora da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), não pôde estar presente no evento, mas gravou um vídeo que foi apresentado às participantes no primeiro momento de plenária e abordou a importância da mulher nos espaços socioambientais da Amazônia.

A partir da Laudato Sí, Márcia considerou os aspectos da interdependência e interligação da mulher com toda a criação como elemento essencial para reposicionar o lugar dessa mulher no grande amazonizar. Ou seja, no conhecer, cuidar e defender a Amazônia que habita desde dentro de cada uma a tudo aquilo que ela representa.

Como a ideia do encontro era promover a escuta das mulheres, um dos destaques da programação ocorreu no segundo momento de plenária, no qual foram apresentadas as experiências e as aprendizagens de algumas mulheres da Companhia de Jesus e redes parceiras.

Térida Muñoz falou do trabalho que o SJMR realiza com as mulheres migrantes e refugiadas; Suelem Velasco comentou sobre o projeto Tecendo ReExistência de economia solidária e geração de renda com mulheres das periferias, quilombolas e assentadas do CAC; Irmã Ximena Barreno apresentou a missão da Equipe Itinerante no acompanhamento de projetos e pessoas ribeirinhas, indígenas e urbanas; Maria Estefanni do Coletivo de Militância Jurídica, que é formado por mulheres do direito, expôs como realizam o serviço de assessoria aos movimentos sociais e populações empobrecidas; e Francy Júnior do Fórum Permanente de Mulheres de Manaus resgatou a história do movimento que há muito tempo tem potencializado o empoderamento das mulheres ao ser um espaço de reflexão, organização e articulação política e cidadã, na luta pela garantia de direitos das mulheres na sociedade.

Outras partilhas também surgiram, espontaneamente, durante o Seminário, entre elas a do trabalho do Movimento Ecofeminista Maria Sem Vergonha que reflexiona e colabora com atividades de ótica integrativa do corpo e sexualidade da mulher.

Além disso, uma temática urgente e necessária bastante destacada pelas mulheres foi o autocuidado como um processo de resgate da dignidade do ser mulher e da cura pessoal e social pelo cultivo de uma mística de erveiras da criação. Segundo Mary, “para cuidarmos da Amazônia, precisamos estar fortes, principalmente estar bem consigo mesma, para assim atuar em defesa da vida e dos povos que aqui vivem.”

Após dias intensos, repletos de amorosidade feminina e firmeza dos passos dados no cuidado da Casa Comum, Ana Lúcia Farias, responsável pelo Escritório de Comunicação dos Jesuítas do Brasil na Amazônia, conduziu a metodologia da antena, apontando os aspectos mais pulsantes e convergentes durante o Seminário. E, com base no conceito de “indiferença inaciana” –  do desapegar das ideias, livre de qualquer vontade desordenada – dirigiu a eleição das propostas iniciais e prioritárias que surgiram nos grupos de discussão no evento. São elas:

  • Construir uma rede de mulheres da Amazônia articulada com outras organizações a partir do Seminário;
  • Organizar uma agenda comum da luta das mulheres;
  • Promover e aglutinar iniciativas de projetos de geração de trabalho e renda.

O Seminário encerrou com uma corrente de energia e benção entre as mulheres.

 

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Ana Lúcia Farias

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