Sistemas agroflorestais na Amazônia são resposta sustentável à seca e à crise climática 

Em meio a pior seca em 121 anos na Amazônia, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) emergem como uma solução resiliente, não apenas para o ambiente, mas também para a economia local.
Sistema agroflorestal na Amazônia é resposta sustentável à seca e à crise climática 

Foto: Divulgação/Vale

A devastação causada pelo desmatamento, agravada pela expansão do gado, está sendo enfrentada por uma alternativa promissora: os sistemas agroflorestais (SAFs). Conhecidos como agroflorestas, esses sistemas combinam o cultivo de árvores com práticas agrícolas e pecuárias, oferecendo benefícios sociais, ambientais e econômicos. 

A seca histórica, que levou o Rio Negro a atingir a marca alarmante de 13,59 cm em outubro de 2023, deixou 62 municípios do Amazonas em estado de emergência. O acesso à água potável e alimentos tornou-se uma luta diária para muitas comunidades. Enquanto a região enfrenta uma grande estiagem, esses sistemas emergem como uma estratégia promissora, equilibrando produção agrícola e conservação. 

Além de recompor áreas desmatadas, os SAFs desempenham um papel crucial na preservação de reservas legais, matas ciliares e áreas de preservação permanente. Nas reservas extrativistas, impedem a expansão da pecuária, aumentando a produtividade de produtos não-madeireiros e garantindo a segurança alimentar em meio ao crescimento populacional.

Sistema agroflorestal na Amazônia é resposta sustentável à seca e à crise climática 
Foto: Flavio Quental Rodrigues/WWF-Brasil

Os SAFs são uma resposta inteligente às mudanças climáticas, integrando árvores, culturas agrícolas e criação de animais numa simbiose única. Neste contexto, eles desempenham um papel crucial durante períodos prolongados de seca. 

A presença de árvores nativas e madeireiras nos SAFs contribui para a resiliência do solo, reduzindo a erosão e conservando a umidade. Essas características se tornam particularmente valiosas em meio a estiagens, proporcionando uma base sólida para enfrentar condições climáticas adversas. 

A capacidade dos SAFs em reter a umidade do solo e reduzir a evaporação destaca-se como uma estratégia eficaz para a conservação da água. Em tempos de seca, essa característica se torna um recurso vital para a sustentabilidade hídrica, beneficiando tanto as plantações quanto o ecossistema local. 

A diversidade de espécies cultivadas nos SAFs não só promove a segurança alimentar, mas também oferece uma vantagem adaptativa em face de condições climáticas extremas. A variedade de culturas cria um ambiente equilibrado e resiliente, permitindo que as comunidades locais enfrentem desafios decorrentes da seca com mais eficácia. 

À medida que a Amazônia busca soluções sustentáveis em meio a eventos climáticos cada vez mais desafiadores, os Sistemas Agroflorestais se destacam como uma abordagem que não apenas preserva a biodiversidade única da região, mas também oferece uma resposta resiliente a períodos de estiagem. Essa prática inovadora revela-se como um exemplo inspirador de como a harmonia entre agricultura e natureza pode ser a chave para o futuro sustentável da Amazônia e além. 

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Felipe Moura

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