No último dia 18 de fevereiro completei 25 anos de ordenação presbiteral. Por questão de calendário, a data foi celebrada no domingo, 08/02. O diácono Wesley, SJ, já publicou notícia sobre esse dia. Em seguida, também Felipe Moura (da equipe de Comunicação da PAAM e da BRA) escreveu matéria sobre o tema. Com breve parágrafo pessoal, arrematarei agora o tríptico. Sem necessidade de repetir o que já foi dito, acrescentarei apenas o meu agradecimento a todos/as que colaboraram para a realização da missa e do lanche partilhado, especialmente minha família e os companheiros jesuítas de Curitiba.
E o coração pede que, com carinho particular, recorde a Comunidade Nossa Senhora Aparecida, Vila das Torres. Quando aí comecei a participar (1978), menino que eu era, e o tanto que precisei ir aprendendo!, não tenho dúvidas de que, de fato, caminhei sustentado pela graça de Deus, através da mediação daquela gente.
Além do 08/02, com o Povo de Deus da querida Comunidade-Mãe (em cujo seio brotou minha vocação e tudo o que veio depois, que nem poderia imaginar: graça!), retornei para presidir a Eucaristia no domingo (15/02) e na quarta-feira de Cinzas (18/02). Com a comunidade compartilhei a dor pela violência (mais um jovem assassinado pela polícia, na antevéspera, 13/02) e, sobretudo, a esperança vivida por esta comunidade sofrida, que testemunha sua fé, provada e comprovada no dia a dia.
Entre tantos motivos de júbilo, algo se ressaltou em meu coração: Santo Inácio nos ensina que, quando nos fazemos amigos das pessoas pobres, nisso nos experimentamos como amigos de Jesus. E o Pe. Pedro Arrupe, SJ, insistia que um dos critérios, muito concreto, de verificação de nossa fidelidade a Cristo é nos interrogarmos com sinceridade se temos amigos que são gente simples, gente pobre. Pois enorme foi minha alegria e gratidão ao constatar e confirmar que tenho muitas pessoas amigas que são pobres — uma comunidade inteira e, nela, algumas pessoas com quem tenho maior proximidade. Também quando passei em Porto Alegre, na Vila Farrapos, no início de fevereiro, e me encontrei com gente querida com quem ali convivi anos atrás, vítimas agora da enchente: gente amiga!
Na simplicidade, como convém, essa caminhada de 25 anos foi, pois, muito bem celebrada. Faltou somente (e isso fica para a próxima ocasião) acompanhar membros da comunidade em visita a algumas famílias mais pobres e abandonadas da vila, pessoas doentes, gente esquecida… Afinal, o ministério presbiteral não se centra em práticas religiosas e litúrgicas, mas se encarna, sobretudo, no serviço.
Pe. Rogério Mosimann da Silva, SJ



