O Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares) colaborou, entre os dias 23 e 27 de fevereiro de 2026, com o Seminário Nacional do Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS), realizado em Brasília. O encontro marcou a celebração dos 15 anos de caminhada do Fórum e reuniu 35 lideranças representantes dos sete biomas brasileiros, além de organizações populares, juventudes e assessorias comprometidas com a construção de alternativas diante da crise socioambiental.
Representaram o Sares no encontro o diretor da instituição, Sílvio Marques, SJ, e a educadora social Mercy Soares. Ao longo dos cinco dias de atividades, o seminário se consolidou como espaço de memória, análise crítica da conjuntura, partilha de experiências e definição de prioridades para o próximo período de atuação do Fórum.

Construção coletiva
A programação iniciou com um momento de acolhida, construção coletiva do espaço educador e mística inspirada nos biomas brasileiros, simbolizando a interligação das lutas socioambientais nos territórios. Durante o encontro também foram formadas as comissões de mística e de elaboração da Carta Política, reafirmando o método participativo do Fórum. O *Sares* integrou a Comissão de Mística e, na programação cultural, apresentou a cartilha Semeadura, elaborada pela Comissão de Ecologia Integral da Arquidiocese de Manaus, da qual a instituição faz parte.
Ao longo do seminário, os participantes revisitaram a trajetória do FMCJS e refletiram sobre o contexto atual da crise climática, especialmente diante do cenário pós-COP30 e dos desafios políticos do país em ano eleitoral. A análise de conjuntura destacou os impactos de grandes projetos de infraestrutura e modelos econômicos predatórios sobre os territórios, bem como a necessidade de fortalecer ações coletivas em defesa da vida e da justiça socioambiental.

Os trabalhos por bioma trouxeram denúncias sobre o avanço da mineração predatória, da exploração de petróleo, da expansão do agronegócio exportador e de projetos de energia e infraestrutura que ameaçam rios, florestas e comunidades. Ao mesmo tempo, os grupos compartilharam experiências de resistência e alternativas concretas, como práticas agroecológicas, iniciativas de defesa dos rios e processos de fortalecimento das juventudes nos territórios.
Durante o encontro, representantes do Fórum também participaram de um ato público em Brasília pela revogação do decreto que previa a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A mobilização reuniu lideranças indígenas e organizações da sociedade civil, reafirmando a importância da defesa da água como bem comum e patrimônio dos povos.

O seminário foi encerrado com a Assembleia do Fórum e com a definição de prioridades para o próximo período, entre elas o enfrentamento da emergência climática, a defesa dos direitos da natureza, a integração latino-americana e o fortalecimento da comunicação em rede. Mais do que celebrar seus 15 anos de caminhada, o FMCJS reafirmou o compromisso coletivo com a construção de sociedades orientadas pelo Bem Viver e pela defesa da vida em todos os territórios.
