Assembleia do Cimi Norte 1 reafirma unidade na defesa dos territórios indígenas com presença jesuíta

Reunidos em Manaus, missionários, lideranças e parceiros — entre eles representantes da Companhia de Jesus — celebraram a resistência indígena e definiram estratégias diante dos desafios políticos e socioambientais.

Com o lema inspirado na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia — “O rio não nos separa; mas une-nos” — a 46ª Assembleia do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Norte 1 foi realizada nos dias 06 e 07 de fevereiro, no Centro de Formação Xare, em Manaus (AM). O encontro reuniu cerca de 50 participantes, entre missionárias e missionários, lideranças indígenas e parceiros indigenistas.

A Assembleia teve como tema central “Defesa da Natureza e dos Territórios, no contexto pós COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025) e das eleições de 2026”, articulando espiritualidade, análise de conjuntura e planejamento estratégico.

Rios que unem, equipes que se fortalecem

Assim como Javari, Purus, Madeira, Solimões, Juruá, Negro e Branco se unem para formar o Grande Amazonas, as equipes missionárias que atuam ao longo desses rios também entrelaçam suas trajetórias no Cimi Regional Norte 1 e na Pastoral Indigenista de Roraima.

Raimunda Paixão, missionária da equipe itinerante, destacou que “nossas veias são como os rios que regem a vida, alimentam pessoas, animais e florestas, conduzem nossas equipes e ajudam-nos a conviver entre diferentes culturas e línguas”, evocando a espiritualidade presente em Querida Amazônia.

O secretário executivo do Cimi, Luiz Ventura, sublinhou que as assembleias regionais são momentos fundamentais para fortalecer a caminhada junto aos povos indígenas. “É o momento de encontro para o abraço, o afago e a partilha. Para atualizar a leitura da realidade e, sobretudo, as estratégias de resposta aos desafios postos”, afirmou.

Conjuntura e novas formas de colonização

Os debates evidenciaram o cenário de pressões sobre os territórios indígenas, especialmente diante da Lei 14.701 e das tentativas de flexibilização das garantias constitucionais. Segundo Ventura, embora o marco temporal tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), permanecem ameaças como a abertura dos territórios à exploração econômica e mudanças nos procedimentos de demarcação.

Lideranças indígenas compartilharam experiências de resistência em diferentes regiões do Amazonas e de Roraima, denunciando invasões, mineração, pesca predatória e cooptação de comunidades. Representantes do Vale do Javari, do povo Sateré-Mawé, de Coari e do povo Mura de Autazes reafirmaram a importância da vigilância territorial e da organização comunitária.

Também foram destacadas as dificuldades enfrentadas por indígenas em contexto urbano, como o preconceito e o acesso limitado a políticas públicas, especialmente na área da educação e da saúde.

Participação da Companhia de Jesus

A Assembleia contou com a presença significativa de obras e representantes da Companhia de Jesus. Entre eles estavam o Pe. Vanildo Pereira, SJ, representante da missão indigenista da Província, e Silvio Marques, SJ, diretor do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), além de membros da equipe itinerante.

O Sares, parceiro histórico do Cimi, reafirmou seu compromisso com a defesa dos povos indígenas e da Casa Comum. Silvio Marques, SJ, parabenizou a nova coordenação eleita e destacou a importância das assembleias institucionais.

“É nelas que a gente consegue afinar, delimitar e, acima de tudo, estabelecer quais são as nossas estratégias de atuação de maneira conjunta”, afirmou.

Ele também ressaltou o protagonismo da juventude e das mulheres indígenas. “A juventude indígena hoje é muito forte. Há neles e nas mulheres indígenas um despertar de que, para existir, tem que resistir. Sua voz é bastante potente diante dos grandes desafios que a sociedade vai apresentando para os povos. Porque, de fato, são elas e eles que trazem essa fortaleza ancestral da cultura, da identidade, da resistência”, destacou.

Nova coordenação e fortalecimento da missão

A 46ª Assembleia foi também eletiva. Após análise da realidade e dos desafios do Regional, foi deliberada a ampliação da coordenação colegiada, que passa a contar com cinco membros para o próximo quadriênio.

O novo coordenador estatutário, Pedro da Silva, enfatizou que, apesar dos desafios legislativos e políticos, o Regional seguirá investindo no fortalecimento das bases, nos processos formativos, na escuta dos povos e na defesa dos territórios, com atenção especial aos povos indígenas em isolamento voluntário.

Referendar é acreditar

Com o lema “A causa indígena é de todos nós”, o Cimi acolheu novos missionários e missionárias referendados pela Assembleia. O gesto simboliza o compromisso contínuo com a vida, a memória e os territórios dos povos originários.

A presença de Dom Raimundo Vanthuy Neto, bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira, reforçou o caráter eclesial da missão. Em sua mensagem, destacou a beleza de “dar passos juntos” na construção de “um outro mundo possível de paz e fé”.

Unidos pelos rios e pelos corações amazônicos, missionárias, missionários, lideranças indígenas e parceiros reafirmaram, em Manaus, que a defesa da vida e dos territórios segue como compromisso irrenunciável — missão que encontra, nas obras da Companhia de Jesus presentes na Assembleia, apoio, discernimento e ação concreta em favor dos povos da Amazônia.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Cimi Regional Norte 1

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