Em meio a cantos, faixas e momentos de espiritualidade, a terceira edição da Romaria das Águas transformou os rios de Manaus em espaço de denúncia e mobilização neste domingo, 22 de março. A atividade reuniu organizações da sociedade civil, movimentos sociais e moradores da capital amazonense em defesa da água como direito fundamental e bem comum.
Com a presença da Companhia de Jesus, por meio do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental, Sares, os participantes seguiram em barqueata do Porto da Ceasa, na Zona Sul, até o Encontro das Águas, símbolo da força e da diversidade dos rios amazônicos. O ato marcou o Dia Mundial da Água e reforçou pautas relacionadas à preservação ambiental e ao acesso universal à água potável.

Com o tema “Água, fonte de vida e bem comum: nossos rios não estão à venda!”, a programação integrou expressões culturais, momentos de oração e manifestações públicas. Ao longo do trajeto, participantes denunciaram iniciativas que consideram ameaças aos recursos hídricos da região, como projetos de exploração econômica e propostas de privatização.
Durante a mobilização, a educadora social do Sares, Mercy Soares, destacou a responsabilidade coletiva na defesa da água. “Se a água é sujeito de direito, ela precisa ser defendida. Ela não fala. Quem fala por ela somos nós. Por isso estamos aqui, nas águas e nas ruas, em resistência”, afirmou.

A romaria também chamou atenção para a realidade do acesso desigual à água e ao saneamento básico na região. Segundo os organizadores, muitas comunidades urbanas, ribeirinhas e indígenas ainda enfrentam dificuldades no acesso a serviços essenciais, o que agrava situações de vulnerabilidade social e sanitária.
Outro ponto levantado pelos participantes foi o impacto de atividades como mineração, agronegócio e exploração de petróleo sobre os territórios amazônicos. Essas práticas, segundo os movimentos, comprometem a qualidade da água e afetam diretamente o modo de vida de comunidades tradicionais.

Realizada anualmente pelo Fórum das Águas do Amazonas, a Romaria das Águas se consolida como um espaço de articulação entre fé, cultura e luta social. A edição deste ano foi encerrada por volta das 12h, com o retorno das embarcações ao Porto da Ceasa e o reforço de um compromisso coletivo de defender os rios e a vida na Amazônia.






