O Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares) participa da 6ª Conferência Nacional das Cidades (6ª CNC), realizada de 24 a 27 de fevereiro de 2026, no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília (DF). Organizada pelo Ministério das Cidades, por meio do Conselho das Cidades (ConCidades), a Conferência é o maior espaço de participação social voltado à formulação das políticas públicas urbanas no país.
Com o tema “Construindo a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano: caminhos para cidades inclusivas, democráticas, sustentáveis e com justiça social”, a etapa nacional consolida um processo iniciado nas conferências municipais e estaduais, reunindo representantes do poder público e da sociedade civil para pactuar diretrizes que orientarão o futuro das cidades brasileiras.
Durante os quatro dias de programação, delegados e delegadas debatem propostas relacionadas à habitação, saneamento básico, mobilidade, gestão urbana e sustentabilidade ambiental. O objetivo central é consolidar a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU), com foco na redução das desigualdades socioespaciais e na promoção da justiça climática.
Presença do Sares e compromisso socioambiental
O diretor do Sares, Silvio Marques, SJ, destaca que esta é a terceira conferência nacional com participação da instituição.

“É importante frisar que essa é a terceira conferência nacional que o Sares participa. A primeira delas foi a Conferência das Mulheres, a segunda a Conferência do Meio Ambiente e agora a Conferência Nacional das Cidades, que tem como propósito construir e aprovar a política nacional de desenvolvimento urbano. Como Sares, estamos aqui desde a perspectiva socioambiental, trabalhando justamente o conceito de justiça socioambiental nos temas da moradia, do saneamento básico, das florestas urbanas e de tudo aquilo que está relacionado às cidades e à sustentabilidade”, afirma.
O Sares contribui especialmente no eixo dos grandes temas transversais, com destaque para a sustentabilidade ambiental e as emergências climáticas. A atuação reforça a importância do protagonismo das cidades na agenda climática, considerando que a maior parte da população brasileira vive em áreas urbanas e que os municípios têm papel central no ordenamento do território.
Cidades e emergência climática
Os debates ressaltam que a adaptação às mudanças do clima é urgente diante do aumento de eventos extremos, como enxurradas, inundações, deslizamentos, secas prolongadas e ilhas de calor. Esses fenômenos impactam diretamente as condições de vida, ampliam desigualdades sociais e colocam em risco patrimônios materiais e imateriais de comunidades.
Ao mesmo tempo, a mitigação das emissões de gases de efeito estufa passa por estratégias de desenvolvimento urbano de baixo carbono. Entre as propostas discutidas estão o incentivo à mobilidade ativa e ao transporte público coletivo, o estímulo a construções sustentáveis, a redução de desperdícios, a destinação adequada de resíduos, a proteção da cobertura vegetal e o fortalecimento de atividades econômicas comprometidas com a descarbonização.
No contexto amazônico, onde o bioma ocupa cerca de 49% do território nacional, a dimensão socioambiental assume relevância estratégica tanto para a mitigação quanto para a adaptação climática. Para o Sares, pensar políticas urbanas a partir da justiça socioambiental significa integrar moradia digna, saneamento, proteção das florestas urbanas e participação popular, construindo cidades resilientes e comprometidas com o cuidado da Casa Comum.