Enquanto a COP15, Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, acontece em Campo Grande (MS), um seminário realizado em Corumbá (MS) chama atenção para os impactos da crise climática e de megaprojetos sobre o Cerrado e o Pantanal. O encontro conta com a presença do diretor do Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), Silvio Marques, SJ, integrante da articulação Agro é Fogo.
Realizado nos dias 26 e 27 de março, o seminário “No Cerrado e Pantanal correm os segredos sagrados das águas” reúne movimentos sociais, organizações, povos indígenas e comunidades tradicionais. A iniciativa, organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Mato Grosso do Sul, busca fortalecer a defesa dos territórios frente ao avanço de grandes empreendimentos.
A programação inclui debates sobre os impactos da mineração, da Hidrovia Paraguai-Paraná e da Rota Bioceânica, além de reflexões sobre o significado das águas para os povos do Cerrado e do Pantanal. O encontro também promove a troca de experiências e a construção de estratégias de resistência diante do agravamento das mudanças climáticas.
Representando a articulação Agro é Fogo, Silvio Marques, SJ, destaca a importância da formação e da partilha de conhecimentos entre os territórios. “É de fundamental importância a formação e a partilha de conhecimento, especialmente no enfrentamento de problemas diferentes, porém com resultados semelhantes, isto é, o sacrifício dos biomas e das comunidades em vista do lucro dos grandes projetos que não respeitam a vida”, afirma.
As discussões do seminário dialogam com alertas recentes sobre a degradação dos biomas. No Pantanal, a redução da superfície de água e o avanço de projetos de infraestrutura preocupam organizações e comunidades. Já no Cerrado, a diminuição das águas e o desmatamento reforçam a urgência de ações articuladas em defesa dos territórios, das populações tradicionais e da sociobiodiversidade.



